"Moradores e junta de freguesia
querem travar abate de plátanos no Bairro Azul"
por Joana Haderer
(Agência Lusa - 21/Dez/2005)
Moradores do Bairro Azul e a junta de
Freguesia de São Sebastião da Pedreira, em Lisboa, pretendem impedir
o
eventual derrube de três plátanos, previsto pelas obras de
prolongamento da linha vermelha do Metropolitano.
Os deputados da Assembleia Municipal de Lisboa (AML) aprovaram
terça-feira uma moção subscrita pelo presidente da junta de
freguesia,
Nelson Antunes (PSD), que pede à autarquia lisboeta que "não autorize
que o Metropolitano de Lisboa possa abater os plátanos", situados no
cruzamento da rua Marquês da Fronteira com as avenidas António
Augusto
de Aguiar e Ressano Garcia.
"A pretensão do Metropolitano de Lisboa é derrubá-los. Estão
num local de passagem, de convívio e de encontros. Por debaixo das
frondosas copas dos plátanos estão instaladas mesas e cadeiras",
sublinha Nelson Antunes, na proposta.
Na opinião do presidente da freguesia, numa altura em que está
a decorrer a revisão do Plano Director Municipal, o plano de pormenor
da Praça de Espanha e Avenida José Malhoa, o projecto urbano campus
de
Campolide e a classificação de bem cultural como conjunto de
interesse
municipal do Bairro Azul, "será de todo inqualificável que qualquer
obra possa pôr em causa a frente" deste bairro.
Em declarações à Lusa, o presidente do Metro, Mineiro Aires,
esclareceu que ainda não há uma decisão sobre este assunto e explicou
que está previsto que passe um túnel sob a zona onde se localizam os
plátanos.
"Ou se abatem ou morrerão", afirmou o responsável, garantindo
que a questão "está a ser analisada internamente e com a Câmara e a
junta de freguesia", para tentar encontrar soluções alternativas.
A Comissão de Moradores SOS Bairro Azul está a promover um
abaixo-assinado, que já recolheu cerca de 400 assinaturas, contra o
derrube dos plátanos.
No documento, os moradores sublinham que as árvores estão "em
bom estado fitossanitário e funcionam para o bairro como uma barreira
de protecção da intensa poluição atmosférica e sonora".
Caso não seja possível evitar o abate das árvores, a comissão
defende que seja previsto um projecto de reflorestação após as obras,
"para que aquela zona não fique depois uma terra de ninguém", disse à
Lusa Ana Alves Sousa, do movimento de residentes do Bairro Azul.
Mineiro Aires frisou que a empresa "não é insensível" e
procura sempre "as soluções que causem menor impacto ambiental", mas
o
presidente da empresa considerou que "estas obras implicam
sacrifícios".
O responsável sublinhou que a obra se desenvolve ao longo de
vários quilómetros, pelo que não é "de crer que não haja impactos ou
algumas implicações".
O presidente do Metro adiantou que, caso não haja solução,
serão adoptadas "medidas de compensação".