"Câmara atira decisão para o final do mês"
"Reabertura do viaduto da Ramalho Ortigão adiada pela quarta vez"
por Anabela Mendes
(Jornal Público - 1/Fev/2006)
Ligação entre Sete Rios e São Sebastião vai continuar a fazer-se via
Praça de Espanha. Viaduto abre aos peões a 11 de Fevereiro.
O viaduto da Rua Ramalho Ortigão, encerrado ao trânsito automóvel e
pedonal desde Junho de 2005, ainda não abrirá esta semana, conforme
foi anunciado pela Câmara Municipal de Lisboa (CML) no final do ano
passado.
Com este sobem para quatro os adiamentos da reabertura daquela
infra-estrutura, que faz a ligação entre a Avenida José Malhoa e a
Rua Ramalho Ortigão, entre Sete Rios e São Sebastião da Pedreira, e
que foi fechada, sem aviso prévio, por risco de colapso.
De acordo com Pedro Amaro, assessor do vereador das Obras Municipais,
a empreitada no viaduto está em fase final, estando a proceder-se à
colocação dos tapetes de asfalto, mas só os peões o poderão
atravessar a partir do fim-de-semana de 11 e 12 de Fevereiro.
Os automobilistas ainda vão ter de esperar até, pelo menos, o final
do mês de Fevereiro, já que o viaduto só poderá reabrir ao trânsito
automóvel depois de o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC)
realizar um ensaio de carga.
"Por uma questão de segurança, o LNEC terá de realizar esse teste,
que consiste na ocupação total do tabuleiro do viaduto com veículos
pesados e obrigará ao corte do trânsito na Avenida Calouste
Gulbenkian", explica Pedro Amaro.
Por isso, diz o assessor, é impossível adiantar uma data para a
reabertura do viaduto, pois esta ficará dependente da disponibilidade
do LNEC para realizar o ensaio de carga.
Desde o Verão de 2005 que todos os automobilistas que rumam ao centro
da cidade, provenientes de Campolide ou Sete Rios, estão impedidos de
aceder a São Sebastião da Pedreira através do viaduto da Rua Ramalho
Ortigão, divergindo, na sua maioria, para a Praça de Espanha e
congestionando todas as vias de acesso àquele local, já de si
complicado.
Complicada tem sido também a vida para os peões provenientes da zona
de Sete Rios que se viram impedidos de atravessar o viaduto, sendo
forçados a descer a Rua Cardeal Saraiva e a fazer o atravessamento da
Avenida Calouste Gulbenkian, bastante movimentada.
Para atenuar o perigo, a autarquia, já no final do ano passado,
colocou no local semáforos provisórios, substituindo assim os agentes
da Polícia Municipal que se voluntariaram para ajudar os peões a
atravessar a via nas horas de ponta, especialmente crianças que
frequentam a Escola Marquesa de Alorna.
Bairro Azul apresenta proposta à Câmara
A Comissão de Moradores do Bairro Azul entregou à Câmara de Lisboa
uma proposta que visa retirar duas faixas de rodagem à Rua Ramalho
Ortigão com vista a alargar os passeios e plantar árvores. Com esta
sugestão, a comissão pretende restituir àquele bairro a qualidade de
vida que conheceu noutros tempos, antes da fixação do pólo
universitário, das sedes de alguns bancos, da clínica do SAMS ou
mesmo da instalação da Mesquita de Lisboa. De acordo com membros da
comissão, os idosos que moram na Rua Ramalho Ortigão deixaram de
poder atravessar aquela via devido ao fluxo de trânsito que ali se
processa, proveniente de Sete Rios e que acede ao local através do
viaduto. Ainda de acordo com o projecto da comissão de moradores,
também é sugerida a construção de uma pequena rotunda logo após o
atravessamento do viaduto, no sentido Sete Rios-São Sebastião da
Pedreira, para que o trânsito que queira aceder à Praça de Espanha
não tenha de invadir o Bairro Azul para proceder à inversão de
sentido. A.M.